Um homem levara sua filha ao playground, após muita insistência
da garota de 5 anos. Devido ao amor que sentia por aquela pequena criatura,
resolveu confrontar seu trauma e encarar o tão temido parque dos horrores.
Ao entrar no local, segurou firmemente a mão de Stella,
embora a menina rebelde quisesse escapar e correr para os brinquedos. Sua
respiração ficava ofegante e o suor descia por entre suas ventas. Seu
comportamento assemelhava-se a uma criança que teria a sua primeira passagem
por um carrossel. O frio na barriga, começou a incomodá-lo, enquanto a filha
subia no cavalinho colorido com um sorriso estampado no rosto.
Sua mente tentava bloquear certos pensamentos, contudo foi em vão. Rogério lembrou-se daquela primavera de 1988. Com apenas 10 anos, sentia-se o mais forte de todos os
homenzinhos do vilarejo, onde vivia. Certo dia, seus amigos convidaram-lhe para
subir na roda gigante. O menino conhecido por destemido e corajoso, observou
que o seu interior, pedia para que ele não entrasse nessa aventura, afinal pela
primeira vez, sentira medo, muito medo. Rogério tentou desconversar, ir para
outro lugar, porém os pivetes insistiam e zombavam do pequeno, chamando-o de ‘marica’.
Aquele apelido pejorativo ecoava na mente de Rogério, até os
dias atuais. Nunca mais fora em um parque e agora teria que encará-lo. Rogério
perdeu-se no tempo, até que Stella agarrou-se à barra de sua calça e o gritava
incessantemente: ‘Papai, papai, vamos andar na roda gigante comigo?’
Quando ouviu, tal pedido, suspirou fundo e engoliu seco. Suas
pupilas se dilatavam à medida que a fila esvaziava. Sua vez estava chegando e não
podia negar um pedido à sua pequena amada.
Embora soubesse que já estava na hora de esquecer o passado,
não conseguia. Stella entregou os dois tickets para o cobrador, enquanto seu
pai permanecia atônito. Rogério entrou no banco e continuava estático. A menina
observava a vista da cidade, que era bastante bela e privilegiada, enquanto teu
pai, apenas voltava há alguns anos atrás.
Quando o banco oscilava no alto, o homem
sentiu que tudo havia parado e abriu um riso tímido e confuso. Refletia sobre o quão intrigante
era a vida. Enfim, percebeu que ao longo de sua caminhada, sempre existiam altos e baixos, como em uma roda-gigante. Ao mesmo tempo em que ele se encontrava no ápice da roda, outros encontravam-se lá embaixo. Rogério percebia a lógica do passado. Acreditava que o seu rompimento com o mundo antigo, poderia libertá-lo. Sua vez no brinquedo seria passageira, tal qual seus receios internalizados.
Adorei o conto! Você enfatizou muito bem a questão psicológica do personagem, afinal, não é pra menos que você quer ser psicóloga! Entende as sutilezas da alma humana muito bem! ^-^ Obrigada pelos elogios no blog, fico muito feliz que tenha gostado dos contos, me esforço muito para desenvolve-los e ainda tenho muito que aprender! Boa semana pra você, beijos!
ResponderExcluirE como é difícil encarar nossos próprios medos, vencer a si mesmo, muito bem escrito e de fato uma hora a gente tem que embarcar naquilo que mais nos amedronta para ganhar algo chamado força. O medo não deve ser um freio de fato.
ResponderExcluirAdorei o texto! Vou passar mais vezes por aqui!
oii adorei seu blog estou te seguindo me segue tbm beijao
ResponderExcluirhttp://maddalice.blogspot.com.br
Retribuindo a visita!
ResponderExcluirOlha, belíssimo texto! Gostei demais.
Tens muito talento, siga escrevendo assim, com essa força e com essa alma que pude notar aqui!
Beijos.
www.dilemascotidianos.blogspot.com
Eu gosto bastante dos seus textos, você tem ideias inteligentes, e sabe como transformá-las em palavras. Estou aqui, redimindo-me, eu sei o quanto é importante os comentários, mas apesar de visitar com frequência seu blog, deixo de comentar, o que é um erro, eu sei. Mas quase sempre seus textos dizem tudo, sem a necessidade de complementos. Bem, mesmo assim, passarei a deixar ao menos minha presença marcada, aqui!
ResponderExcluirTransmitira bem a mensagem ao desfecho do texto.
ResponderExcluirO homem nunca enfrentaria ao próprio medo se não houvesse uma força que lhe impulsionasse a isso. No caso, fora a pequena criança, a filha. Nunca se enfrenta um medo sozinho.