O granizo embaçava os vidros do Ford 96 de Luis. As estradas
eram esburacadas e sombrias. Arrepios subiam por seu corpo. No entanto, tais
sensações proporcionavam-lhe sede pela verdade. Encontrou o endereço e não
queria acreditar no que estava diante de si mesmo. O sanatório Brusque não lhe
era estranho. Luis passou a ter alucinações à medida que se aproximava do
estabelecimento. Bateu na porta incessantemente, até que um homem de roupa
branca atendera.
- Por favor, eu queria uma informação sobre um possível
paciente.
- Garoto, é tarde. São 11 horas da noite e você quer que eu
quebre o sigilo médico? Vá para casa!
Luis não desistiria assim tão fácil. Sentia que estava perto
da solução. Observou uma escada que ascendia até o porão do sanatório. Subiu os
degraus da mesma e com uma chave de fenda, forçou a fechadura que trancava o
sótão. Ao entrar, havia vários papéis empilhados sobre uma mesa. Atônito, o
jovem não podia se mexer. Olhou mais uma vez para a mesa e lá estava ela
novamente: a mulher-anjo. Ela apontava para um dos relatórios em especial. Luis
abriu-o e mirou a foto de seu pai.
- Nome: André Simon.
- Idade: 50 anos.
- Internação: 02 de Janeiro de 1999.
- Causa: Morte de sua mulher.
Uma lágrima percorreu a face de Luis. Jogou a pasta no chão
e colocou as mãos sobre o rosto. A mulher-anjo o esperava no corredor. Guiava-o
pelo hospital psiquiátrico. Deixou-o no quarto 215. Seu pai estava
mais barbudo, velho e debilitado. Não reconhecera o filho.
- Pai, sou eu, Luis.
- Eu não tenho nenhum filho.
Com os olhos arregalados, André observava atentamente a
mulher que lhe causara medo. O velho levantou-se e começou a conversar com ela.
- Justine por que ainda está aqui? Largue o menino e volte
para “casa.”
- Então, você também a vê, pai?
- Fique longe daquela mulher, ela é perigosa.
- Por que? Quem é ela?
- Um alguém que você jamais se lembrará.
Neste momento, o fantasma de Justine, aguçou seu ódio por
André. Resolveu tomar alguma atitude. Tocou a cicatriz de Luis e fê-lo lembrar
do ocorrido. Vozes ecoavam em sua cabeça. Era ela, Justine, fugindo de André.
Havia um garoto pequeno que segurava sua mão. Lembrava daquele pijama, era o seu preferido. O tiro do revólver acertou Justine. A bala raspou pelo braço do guri, lentamente. Sua mãe caiu imediatamente e ele, mal sabia o que estava
acontecendo ali. Olhou para os lábios dela e mirou o seu último suspiro.
Quando percebeu, o jovem já estava empurrando aquele homem
sobre a parede. Apertava a gola de sua camisa e perguntava:
- Por que a matou, pai? Por quê?
- Ela soube de minhas artimanhas do passado. Soube do
assalto e disse que me entregaria à polícia. Eu não tive culpa, filho.
Então, Luis descobriu o que Justine queria lhe contar.
Quando criança, inúmeras vezes a mulher-anjo o protegeu e o levou para brincar.
Ela só queria estar perto e André, por uma inevitável culpa, sentia-se
atormentado em sua presença. Após várias aparições da mãe, ele enlouqueceu.
Ela era um anjo bom, era o anjo de Luis e daquele momento em
diante ele seguiria em teus passos, ao teu lado. Virou-se para olhá-la e
segurar sua mão, no entanto, ela não estava mais lá. Nas janelas do quarto,
estava escrito: “Obrigada por me libertar, filho.”
Observação: Conto baseado nas ideias do filme 'O Despertar'. Uma película surpreendente.

Interessante o texto, gostei bastante, li a parte um e claro para entender rs e gostei aquela coisa de suspense, fantasmas e tudo mais e bem legal mesmo, esse filme que te deu base eu nunca ouvi falar, uma boa vou procurar e ver algum dia. Se puder retornar ao meu blog: http://anonimadavoz.blogspot.com/
ResponderExcluirNosssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssssaaaaaaaaa!
ResponderExcluirEssa historia me arrepiou legal, incrível demais e me deu vontade de ver o filme. Duvido muito que o filme seja melhor que essa sua descrição.
Adorei o desfecho da historia, sensacional.
Eu não sei se acredito em anjos ou até divindades, mas muitas vezes parece que tem algo nos levando para algum caminho.
Não chega a ser visível, mas parece existir alguma coisa que nos guia para nosso caminho da vida.
É estranho. Enfim, amei o texto *-*
Incrivel texto Biia
ResponderExcluirO amor q temos a certas pessoas é tão grande q as vezes nem a morte consegue nos separa delas.
Abç
Adoro esses contos de terror. Acho admirável quem sabe escrevê-los e você o fez com maestria, meus parabéns.
ResponderExcluirEstou a seguir teu blog. Se puder, faça uma visita no meu.
Um beijo, Misunderstood.