O fanatismo pode ocorrer em qualquer período da vida e possui variações, desde o fanatismo religioso até o fanatismo por pessoas públicas. Considerando a imensidão deste tema, decidi enfocar no fanatismo dos adolescentes por pessoas públicas, que é recorrente no mundo pós-moderno.
Quando
estamos na adolescência procuramos “figuras” a quem possamos nos espelhar, para
depositar as nossas emoções e expectativas. É comum (mas não, regra) que os
adolescentes em geral, coloquem sua admiração em uma pessoa pública. Acredito
até pelo fato, dos meios de comunicação serem mais palpáveis e de fácil acesso.
Comigo
não foi diferente. Acredito que fui uma adolescente muito “igual” e tive um
processo de desenvolvimento semelhante ao que a maioria passa. Neste meio tempo, experimentei o fanatismo.
Acabamos
criando um laço muito forte com o ídolo, a ponto de realizar loucuras por ele.
Idolatramos como se a pessoa fosse perfeita, quando na verdade, não é. É certo
que na adolescência, a imaturidade auxilia nesta situação, mas chega a um
ponto, que amadurecemos e rompemos com o fanatismo. Passamos a ser fãs
“normais”, isto é, tiramos às vendas, abolimos a cegueira e reconhecemos que o
nosso ídolo é uma pessoa, que tem defeitos como todos nós. E assim, o
ato de “endeusar” anuncia o seu fim.
Atualmente,
sou fã sim. Não deixei de ser. Apenas abri mão do fanatismo. Muitos dizem que ser fã é perca de tempo, no
entanto, penso diferente.
O
ídolo é uma pessoa comum, com quem podemos aprender e colocar em prática o que
foi aprendido. O ídolo pode nos oferecer valores, ter suas qualidades e
repassar aos seus fãs. E um fã, pode seguir como modelo as atitudes benéficas
de seu ídolo.
Como todo e qualquer assunto, há também seus pontos negativos. O fã pode ser
manipulado por tudo o que diz/faz o ídolo. O fã pode ser influenciado por
discursos e passar a cometer ações, apenas porque foram ditas por seu ídolo. O
fã pode perder o sentido da própria vida, em razão da vida de seu ídolo.
Já
na face dos artistas, existem aqueles que se expõem excessivamente, o que pode
causar transtornos. Existem aqueles que utilizam de sua imagem, para induzir os
fãs, a terem ideais como os deles. Existem ainda aqueles que só pensam na fama
e no dinheiro e realizam qualquer ação, para lucrar em cima de seus fãs.
O
fato é que, tanto o fã quanto o ídolo, se abusarem do “poder”, podem se
prejudicar mutuamente. É o excesso que causa o desconforto e como diz aquela
frase clichê (porém adequada): Tudo em excesso mata.
Portanto
é preciso saber distinguir o ser fã e o ser fanático. É preciso compreender
esse abismo que há entre essas duas condições. É preciso ter bom senso, é
preciso ser racional e se colocar no devido lugar. É preciso ver seu ídolo como
pessoa. É preciso ser imparcial, quando ele faz algo errado. É preciso parar de
defender um hipócrita ou mau caráter, só porque você o ama. É preciso olhar
para a verdade. É preciso perceber o que irá e o que não irá te acrescentar.
