E este sabor insosso que se impregna em meus lábios, transformando o meu hálito, minha mente, meu corpo. É o sabor do desfrute. Desfrute de viver na ilusão e gostar de tal fato. Desfrute de não querer abrir os olhos e permanecer no anonimato. Desfrute de impulsionar os meus atos. Desfrute de me esconder e mesmo assim, ser encontrada. Encontrada por um sentimento puro, mas irreal. Ainda assim, é um sentimento. Ainda assim, causa-me borboletas no estômago e proporciona ânsias em minha caminhada. Ânsia de ser feliz, de transformar a insegurança em amor. Amor de si próprio e do outro. Preciso ser amada, para me amar.
Portanto, pretendo continuar jogando neste escuro, onde me amam pelo que sou e não pelo que desejam que eu fosse. Que tal voltar ao meu mundo? Que tal cambiar o caminho? De volta, às minhas fantasias que outrora despertaram o meu aguçado prazer. De volta, ao passado, aquele que não está mais carregado de cinzas angustiadas, mas sim, preenchido de lembranças inocentes e voláteis. Oh, querida inocência, quero-a no presente. Já! Agora!
Desmontando as verdades que descobri, para me atrelar a uma ficção. Ficção que traz o gozo e a sede. Sede de alegria, afeto, novidades. Tudo novo de novo. O velho que trouxe o novo. A antiga casa, a qual, sempre me pertencerá. Talvez em sonho, talvez em vida. Naquele lugar, onde estou pronta a arriscar. Onde descobri a sentido da palavra ‘amar’.
