Olhos cansados, mente fatigada, corpo sobrecarregado.
Carregava o mundo nos ombros há muito tempo e não suportava mais tamanho
sobrepeso. Era considerada mulher íntegra, honesta, boa, mas escondia sua
verdadeira personalidade. Estava moldada segundo às vontades alheias. Queria ser
tudo, para todos. Não contrariava terceiros, desconhecia a negação para o
outro.
Entrava em relações, as quais, agia de forma patológica,
como se dependesse da pessoa para viver, como se quisesse ser aprovada em cada
segundo que se passava. Fora muito rejeitada, o que deixou marcas. Marcas que tornaram-se
intrínsecas ao seu interior.
Tinha uma enorme dificuldade de deixar as pessoas irem
embora, não conseguia compreender o ciclo da vida, onde àqueles que se dizem “para
sempre”, quase sempre se vão. Poucos ficam. Mesmo assim sentia-se culpada, sem
ter, na verdade, culpa alguma.
Colocava-se na posição de objeto, era “usada”. Procuravam-na quando precisavam, utilizavam-na
para crescer. Ela afeiçoava-se com a dor e por isso se submetia ao cúmulo do
sofrimento para não perder quem ama. Acostumara-se a sofrer internamente.
Era pouco profunda na maioria de suas interações, por puro
medo. Medo, este, o qual se originara de relações anteriores e que criou
traumas indeléveis em seu eu. Medo de
ser magoada novamente, medo de não ser suficiente, medo de ser traída, medo de
ser enganada.
Assume papéis que não são dela, mas que lhes atribuem. Talvez pra agradar, talvez pra se sentir útil e melhor consigo mesma. Tem uma autoestima baixa, irrecuperável.
Assume papéis que não são dela, mas que lhes atribuem. Talvez pra agradar, talvez pra se sentir útil e melhor consigo mesma. Tem uma autoestima baixa, irrecuperável.
O pior de tudo era
que ela sabia. Sabia do que estava acontecendo, sabia do que a rodeava,
sabia quem era realmente. Sabia, mas nada fazia. Não se transformava por benefício próprio,
apenas para os alheios. Onde irá parar alguém que vive para os outros?

Conviver com eterna dor e sofrimento é aprisionar a própria alma , um fardo muito grande para carregar.
ResponderExcluirO mundo é mto pesado pra carregar sozinho! Assim, ela não vai mto longe!!!
ResponderExcluirTem gente que negligencia sua própria personalidade em prol de viver a dos outros. É uma pena que tamanha fraqueza leve alguém a agir assim. Tem gente que justifica isso como uma fuga ou se ilude pensando estar a salvo... Mas no fundo está aprisionada e morta.
ResponderExcluirPena.
Beijo B. Texto forte!
Existe muitas pessoas assim, não sei se falta coragem e força....ou é comodismo, Mas é uma pena viver assim.
ResponderExcluirBelo escrito.
Convido vc gentilmente para participar da 3ª Edição Xícara de Ouro,
promovida pelo Café entre Amigos, onde os seguidores elegerão
os melhores blogs de 2014.
Abaixo segue o link com todas as informações....tenha uma quinta-feira
de paz.
http://www.cafeentreamigos.com/2014/11/3-edicao-xicara-de-ouro-eleicao-dos.html
Ninguém pode mudar ninguém!
ResponderExcluirAcho que cada um tem seus defeitos e qualidades, e esta é uma fragilidade dela, não consegue seguir seu caminho, tem sempre que agradar, ser aceita!
Bjus e bom final de semana!
http://www.elianedelacerda.com
Olá, B., como vai? Seu texto me remeteu a um tempo em que fui bem assim, e na verdade, ainda conservo traços. Talvez por criação, ou por personalidade, gosto de me doar ao outro, mas hoje tenho consciência de duas coisas fundamentais que antes não tinha: do quanto é importante manter a estima e do quanto mereço ser valorizada. Um abraço!
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