O sofrimento é presente em
grande parte da vida do ser humano e quiçá na maior parte desta. Sofremos
demais e acredito que isto se dá pela maneira como lidamos com esse sentimento.
Para nós, seres humanos, o sofrimento sempre está acima da felicidade. Mesmo
que tenhamos inúmeros momentos de alegria, lembraremos, até o fim de nossas
vidas, daqueles que nos causaram dor.
A visão do homem, neste
contexto, é muito limitada. Ainda me pergunto como podemos ser chamados de
“Homo Sapiens”, se não sabemos nem lidar com as nossas perdas, ausências e
afins. A meu ver, o sofrimento do homem em larga escala relaciona-se com duas
características essenciais: a frustração e a impotência.
A frustração devido ao fato
de que as coisas nunca acontecerão da maneira como queremos e os nossos desejos
jamais serão realizados em seu todo. Sempre haverá algo fora do lugar, que vai
contra a forma como imaginamos/fantasiamos as situações. E conseguir
compreender tal frustração é uma tarefa complicadíssima, tendo em vista o ego
inflado do homem contemporâneo que acredita ser capaz de mover o mundo.
Por conseguinte, surge a
impotência. Acredito que mais dia, menos dia, demore o tempo que for, a
“verdade” virá à tona na vida de cada um e assim entenderemos o porquê de ter
dado errado, de termos perdido a batalha naquele instante passado. O difícil é
reconhecer que o homem não é capaz de entender de imediato o porquê dos
acontecimentos de sua própria vida.
Bom, refletindo desta
maneira, concluo que somos menores do que imaginamos, nesse imenso espaço.
Insignificantes, atrasados, restritos e consequentemente sofredores.
Por mais avanços
tecnológicos e científicos que temos, não somos capazes de reger a nossa
própria vida por completa. Porque há pontos, que mesmo que nós ansiemos,
escolhemos e lutemos, ainda assim não será o suficiente. Porque, com certeza,
há algo muito além de nós, algo que desconhecemos, seja o destino, deuses,
extraterrestres ou a denominação que você preferir. Mas todos esses nomes se
resumem a uma só palavra: Insuficiência.
Talvez quando
percebermos/reconhecermos o quão insuficiente somos, o sofrimento possa cessar
ou ao menos se reduzir, em nossas vidas.

Sofremos quando tentamos ultrapassar uma fronteira pela qual nossa condição humana restringe. Por isso surge o que tu disse, frustração e impotência. Mas o sofrimento faz parte do jogo...
ResponderExcluirBeijo B.
Sempre escrevendo lindamente e nos colocando pra pensar.
Obrigado pelo seu último comentário.
com o passar do tempo aprendemos que as decepções,alegrias, tristezas, por exemplo, possuem a medida e intensidade que damos a elas...
ResponderExcluirNão acredito que para todos o sofrimento sempre está acima da felicidade.
ResponderExcluirEntretanto, concordo que não estamos preparados para as perdas e também entre outras coisas que disseste que somos menores do que imaginamos, nesse imenso espaço.
Que teoria pesada, mas muito realista. Acredito que nossa frustração é decorrente justamente dessa obrigação que adotamos de conseguir dominar por completo nosso destino. Em uma tecnológica em que a descrença no metafísico é cada vez maior, criamos a ideia de que somos controladores de nosso próprio destino, ou pior, não existe destino a ser controlado, apenas nossa vida regida por nossas escolhas. Inocentes. Daí resulta nosso eterno desespero de explicar ou se conformar com as coisas que saem fora do que planejamos.
ResponderExcluirExcelente texto, como todos que vi aqui.
Beijos =*
Adorei seu texto,amiga!
ResponderExcluirrealmente as emoções nos deixam muitas vezes confusos e não entendemos de imediato o porquê dos acontecimentos, mas acredito que traçamos nosso próprio destino,através das nossas escolhas, e no futuro nos assustamos com as consequências ...são nossas crises existenciais,não é verdade?
Bjus no coração e continue escrevendo...
http://www.elianedelacerda.com