Junior correu adiante, puxando as meninas pelas
mãos. Atrás, Juca e sua gangue, gritavam
ofensas: Nerds! Excluídos! Zero à
esquerda!
Por fim, os amigos encontraram uma velha ponte à sua
frente. Contudo, ela estava com uma das partes deformada e quando Evelyn pisou
na madeira, a ponte bambeou. Então, regressaram. Não havia escapatória, iriam
levar porradas ali mesmo.
Suspiraram fundo, engoliram seco e miraram a aproximação
da gangue. Juca estava a 10 metros de Junior, que escondia suas amigas atrás
dele. O mafioso chamou Fábio, o mais alto do bando, e retirou um soco inglês do
bolso. Apontou para Junior e disse ao
parceiro: - Traga o marica aqui!
O garoto estremeceu e seus
olhos ficaram marejados. Ele foi arrastado por Fábio, ficando frente a frente com Juca. O mafioso
deu-lhe um soco no rosto, quebrando-lhe o óculos. Posteriormente, o empurrou
para perto da ponte.
Junior enxergava muito pouco, sem seus óculos garrafais.
No entanto, Juca não ligou para a limitação do “marica”. Mandou-o andar pela
ponte, se não, bateria em suas amigas. O garoto reclamou e repetiu várias vezes
que não estava enxergando, mas não fora ouvido.
Se havia algo que Junior abominava, era quando um homem
batia em mulher. Devido a este fato,
decidiu arriscar a sua própria vida, em prol da segurança de suas amigas. Levou
suas mãos a frente para perceber aonde
começava a ponte e vagarosamente, sentia a madeira em seus pés.
As meninas choravam compulsivamente, mas tentavam
orientar o amigo, para que a travessia fosse rápida. De repente, uma tábua da ponte que estava parcialmente
quebrada, tirou o foco de Junior e fê-lo escorregar rapidamente para a parte
lateral da ponte. O grito do garoto denotava um medo incalculável. A única
coisa que o segurava e o impossibilitava de cair nas pedras abaixo, era a corda
da ponte.
Todos ficaram aflitos. Uma culpa invadiu o ser de Juca.
Ele gritava aos companheiros: Façam algo para salva-lo. Todavia, eles
balançavam a cabeça e diziam que a ideia fora imposta pelo líder.
Os dedos de Junior começaram a ficar cansados e
deslizavam pela corda. O garoto estava à beira da queda. Juca, em um ato de
impulso, correu cuidadosamente pela ponte até o local onde o nerd estava.
Agarrou-lhe a mão, trazendo-o para as tábuas firmes novamente.
Os dois se entreolharam e voltaram para a mata, um ao
lado do outro. Junior, abraçou suas amigas e sentiu alguém passar os braços por
eles. Para sua surpresa era Juca, que em um instante de arrependimento, pediu
perdão ao quarteto.
Nos dias que se seguiram, houve transformações no grupo
dos “nerds”. Agora, eles eram bem vistos pela coragem e força. Ao longo do
tempo, puderam mostrar as qualidades que tinham. Passaram a interagir com os
outros e principalmente com Junior, que se rendeu ao grupinho. E a partir deste
dia, o bullying jamais fora praticado novamente na Escola dos Saberes.

Quem dera todas as histórias de bullying terminassem como essa, se as pessoas pudessem assumir seus erros, engolir orgulhos e entender que ninguém é melhor do que ninguém, que as diferenças devem unir e não dividir as pessoas.
ResponderExcluirO mundo anda precisando dessas transformações.
Beijos.
eraoutravezamor.blogspot.com
Concordo plenamente com a Mayra.
ResponderExcluirBela estória.
Bj.
Interessantíssimo e surpreendente, B.
ResponderExcluirBeijos.
www.dilemascotidianos.blogspot.com
Quem dera se na vida real esse final fosse possível, B. Bjos.
ResponderExcluirAcho engraçada essa coisa toda de bullying. Antigamente usar óculos era uma aberração, hoje em dia é moda. As pessoas que não têm deficiência na visão compram sem grau, só para estarem na moda.
ResponderExcluirAo contrário do pessoal, eu não acho impossível e nem pouco provável isso acontecer. Há algumas semanas passou no Fantástico uma escola que colocou ética como disciplina, para discutir bullying. Os alunos se sentam em uma pequena roda e há um debate. Os casos diminuíram consideravelmente. Enfim, o que falta é preparo para lidar com o assunto. Seja na escola, em casa ou na roda de amigos.