Rodopios no ar faziam-na girar com enorme leveza. Seu
vestido vermelho, reluzia por entre as ruas escuras daquela pequena praça. Combinado
com a flor que prendia seu cabelo, estava em perfeita sintonia. Olhares se
cruzavam. Dedos entrelaçados deslizando suavemente uns nos outros, seguindo a
canção da meia noite. Seus sapatos de cristal eram apoiados nos dele. Ele,
aquele homem esguio de cabelos ondulados e sorriso encantador. Seu cabelo loiro
assemelhava-se a um anjo, seus olhos azuis pareciam águas do mais lindo mar. Ele
a segurava firmemente pela cintura, enquanto sentia os braços dela em volta de
seu pescoço.
O ritmo era perfeito. A lua brilhava, o céu estava imenso de
estrelas. Os sons dos galhos balançando nas árvores eram como uma melodia.
O frio aparecia repentinamente. A garoa da madrugada estava
por vir. A mulher sentou na beira de uma ponte e constatava que aquele era um
dia inesquecível em sua vida. Seu anjo retirou o casaco e o ofereceu para
esquentá-la. Alguns segundos se passaram e ela resolveu levantar-se. Andou meio
metro, encontrou o seu amado e deu-lhe o beijo de despedida. Seguiram pelo beco
sem saída até chegar à linha do trem. O vagão já era perceptível de longe.
Eduarda partiria.
Ela encolheu-se nos braços do seu amor e lágrimas
encharcaram o paletó de Pedro. Miraram-se por longos minutos, esperando o
momento derradeiro tomar conta da cena. Encostaram os lábios e disseram juntos:
‘- Eu vou te amar pra sempre’.
A chaminé do trem interrompeu-os. Eduarda afrouxou o cabelo
e soltou-o em longos cachos dourados. Feito isso, deu-lhe a flor vermelha, como
símbolo do amor eterno.
Pedro sentia a presença de sua mulher naquela pequena flor. Jurou
cuidá-la. Ele não a deixaria morrer.
Dez anos mais tarde, um homem com barbas meio grisalhas e cabelos
calvos, estava sozinho à meia-noite na estação de sua cidade. O lenço branco na
janela, indicava que a parada do trem, seria naquele local. Os passageiros
esvaziavam o vagão e a aflição do homem, apenas aumentava. A última passageira
lhe chamou a atenção. Quase que irreconhecível, no entanto, com a mesma beleza,
avistou Eduarda.
Pedro segurava a rosa vermelha que ela havia lhe entregado
naquela última noite. A flor, estava seca, porém um pequeno brilho permanecia.
Ao se abraçarem, a rosa renasceu, assim como o amor que estava guardado há
tanto tempo, porém que jamais deixou de existir.

Que lindo! Principalmente pelo detalhe da rosa vermelha, é claro. Mas o que mais me chamou a atenção foi que ao ler seu mini-conto, pude recordar do jovem Dorian Gray (de "O retrato de Dorian Gray", escrito por Oscar Wilde). Não sei ao certo porquê, mas há uma boa semelhança entre os personagens, antes de Dorian vender a alma, é claro. Enfim.
ResponderExcluirEscrever bem, menina. Gosto da tua escrita - apesar de nem sempre comentar aqui, saibas que sempre leio que escreves.
Beijos!
http://miasodre.blogspot.com.br/
Que belo texto...! Amei.
ResponderExcluirEstou seguindo aqui. Dá uma passadinho no meu e deixa sua marquinha lá. Bjs!!!
http://myway-mw.blogspot.com.br/
Voltei para saber das novidades, postagens interessantes tive um bom proveito. Seu blog é o meu favorito.Nova post lá no blog, passa lá. http://jpbigblog.blogspot.com.br/
ResponderExcluirEu gosto muito do que você escreve. É sempre tão intenso e cheio de paixão. =)
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