Os raios solares se esvaíam naquele fim de tarde vazio. Tão
vazio, quanto à ampulheta que segurava em sua mão. A garota enchia os dedos de
grãos de areia e desejava colocá-los ali dentro. No entanto, sua vontade era bloqueada
pelo término do tempo. Era tarde, tarde demais. Passou-se o primeiro dia.
Na manhã seguinte, lá estava ela mais uma vez. No mesmo lugar onde ficava, até o sol se pôr. Deitou na areia e mexeu os pés. Desejava esculpir
um desenho, porém não foi bem sucedida. Levantou-se rapidamente e começou a modelar
um castelo, lembrando-se dos seus tempos de infância. O vento soprou forte e
desmoronou o que ela havia construído. Por um minuto, ela pensou em desistir.
Atônita e perdida, olhou
para o vidro vazio que a levava para um mundo de ilusões. Começou a enchê-lo
naquela praia deserta.
Após alguns minutos, a ampulheta estava completa, contudo
uma lacuna insistia em permanecer. Um espaço vago e impreenchível.
Passada a madrugada, ela acordou do sonho e sentiu seus
lábios ardendo como em brasa. Descobriu que ainda havia tempo. Mergulhou no mar e deixou com que as ondas a
levassem para uma ilha. Percorreu as pedras, até encontrar o que procurava
incessantemente. Tocou nos cabelos de Gustavo e o acordou com um belo sorriso. Deu-lhe
um beijo no rosto e o presenteou com a ampulheta. Sentia-se salva, mesmo que estivesse rodeada por uma imensidão
aquática.

Periga morrer de insolação. Se isso tudo já não for delírio de morte...
ResponderExcluirTalvez seja mesmo um delírio de morte, quem sabe. Depende do seu ponto de vista. Deixei o final bem subjetivo.
ExcluirGostei. Como você disse acima "deixei um final nem subjetivo". Percebi isso lendo... Muito bom, você leva jeito! =D
ResponderExcluirwww.lalollita.blogspot.com
primeiro vim agradecer pelo comentário em meu blog, agora o que falar sobre o seu texto? perfeito, adoro ler coisas que me fazem ter vários pensamentos, o mesmo texto pode falar diferentes coisas, tudo depende de quem ler e do estado de espirito que aquela pessoa se encontra! PARABÉNS!!
ResponderExcluirPOr mais q estejamos perdidos, há sempre algo q nos tras felicidade msm q essa seja apenas momentânea ainda é uma forma de vida, afinal não se vive triste.
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