sábado, 9 de agosto de 2014

[Parte 3] O portal.



       Sofia deparou-se com a imagem da mãe. De repente, um clarão pairou no quarto e como em um filme, a história dos pais de Sofia foi sendo mostrada. Sofia mirava-a quando pequena, debruçada em lágrimas. O tempo foi passando, até chegar aos 6 anos, no dia em que seus pais morreram. Sua mãe chegara tarde em casa, por conta do trabalho e encontrara o marido na cama com a amante. Renata, a mãe de Sofia, não discutiu com o esposo, apenas arrumou a sua mala e já ia saindo de casa, quando Raul atirou em suas costas. Renata caiu e o sangue escorreu pelo assoalho. 
       Depois disso, Raul atirou em suas têmporas. A amante, assustada com toda aquela cena, tocou no revólver e chorou em cima do corpo do amado, até a polícia chegar e prendê-la em um suposto flagrante.
       O sofrimento era estampado no rosto de Sofia e a dor também era marcada na forma da sombra. Renata nunca aceitou a perda da filha, queria leva-la para o seu mundo e por isso, atormentava-a.
       Em um momento de emoção, Sofia chegou perto da “mãe” e tentou toca-la, mas foi em vão. Por mais que a filha quisesse tê-la por perto pertenciam a mundos diferentes e Renata deveria regressar ao submundo.
       Fred sabia o que deveria ser feito. Invocou a alma de seu velho avô, para conseguir reabrir o portal e então levar Renata para o submundo. O avô de Fred ressurgiu e Renata, apesar de amar a filha, entendeu que ali não era mais o seu lugar. Ambos ultrapassaram o portal. A forma da Renata ainda mirou a filha, antes de desaparecer. Havia uma espécie de sorriso aliviado em seu rosto.
       Sofia aconchegou-se nos braços de Fred, chorando copiosamente. Horas depois adormeceu, anestesiando a dor.

3 comentários:

  1. Adoro esse estilo de textos, meus parabéns!
    Gosto de coisas que são comuns para alguns, para que a maioria das pessoas não consegue ver nem sentir...
    bjus e bom domingo!
    http://www.elianedelacerda.com

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  2. Que coisa. Bonita história B. Gostei do tom espiritual/sobrenatural. E também os sentimentos, a história envolvida, um passado de tristeza. O Portal é uma história cativante, mostrando às vezes que nem os outros mundos podem contar a força do que sentimos. Principalmente quando restam tantas cicatrizes...

    Maravilha B!

    Beijão e boa semana!

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  3. Achei interessante... em alguns momentos da vida temos a vontade de ter acesso a um portal desses, mas como bem lembrou o texto, cada um está no lugar ao qual deve pertencer em determinado momento. Um abraço!

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