sábado, 17 de maio de 2014

Carcaça.


    Contempla a solidão em um quarto de hotel vazio. Caminha até o espelho e depara-se com o irreconhecível. Uma imagem desfigurada, calcada em carcaças, migalhas de quem um dia já foi valorizada.
    Abre a janela, mira a distância até o solo. Procura algum objeto, com o qual possa se auto-punir, mas assume a covardia. Somente consegue chegar até o banheiro, encostar a cabeça na parede e chorar copiosamente. Lágrimas doídas, vida ultrapassada.
    Enlouqueceria, se continuasse mais um segundo ali. Decidiu partir, sem rumo, sem ter pra onde, aceitando um papel de mera desconhecida. Desconhecida de si mesma. 

4 comentários:

  1. Às vezes é mais fácil fugir do que permanecer. Na solidão, a dor se aninha, o silêncio traz respostas ou algum pouco conforto. Mas é um caminho para ser superado logo. Quem muito se isola, a loucura conhece. É preciso voltar.

    Beijo B.
    Como sempre boas reflexões.


    Aparece. :)

    ResponderExcluir
  2. A solidão é mesmo enlouquecedora, mas não podemos fugir de suas garras, ela nos acompanha a vida inteira, pois percebo que somos sozinhos mesmo em tudo que fazemos e sentimos.
    Bravo!!!!!
    bjus
    http://www.elianedelacerda.com

    ResponderExcluir
  3. A solidão é triste, cruel.
    As vezes mesmo estando rodeados de pessoas nos sentimos com ela.
    Bj.

    ResponderExcluir
  4. Acho essa sensação de desconhecer a si mesmo tão inspiradora, talvez seja pelo fato de frequentemente experimentá-la. Achei o desenho do pássaro lindíssimo, casa perfeitamente com esse contexto de carcaça, e a prosa em si, me tocou muito. Parabéns, mais uma vez!

    Beijos =*

    ResponderExcluir