domingo, 16 de março de 2014

[Parte 2] Luna


     Ao encontrar-se sozinha novamente, Luna se autoflagelava e proferia palavras contra si mesma:  - Isso não pode estar acontecendo! Não deveria tê-lo beijado! Não pode voltar a ocorrer.
     Irritada, ela começou a correr pela floresta, soltando alguns gritos abafados.
     Anderson, em contrapartida, só conseguia pensar no que aquela mulher lhe despertava. No gosto da paixão em seus lábios e correndo por suas veias. Naquela manhã, não voltou para a sua casa. Não queria reviver  lembranças dolorosas, então ficou perambulando pelas ruas vazias da cidade, até que a noite chegasse para encontrar Luna. E assim o fez.
     O jovem chegou naquela floresta, agora tão convidativa, e louco para encontrar Luna, caminhou apressadamente ao local que conhecera na noite anterior. Ela não estava lá, para a sua frustração. Anderson começou a perambular e chamar teu nome em meio às folhagens verdes. De nada adiantou.
     Luna observava o amante de longe. Mordia o lábio de nervosismo e ansiedade, porém sabia que precisava conter-se. Viu-o sentar-se em um tronco de árvore velho, derrubado ao chão.
     Anderson colocou os braços sobre as pernas e a cabeça sobre os joelhos, pondo-se a chorar incessantemente e a repetir: - Por quê? Por que mais uma vez?
     Nesse momento, Luna não conseguiu se segurar. Entregou-se ao desejo, por mais proibido que fosse. Direcionou-se a Anderson e beijou-lhe os lábios com tamanha voracidade. Ali aconteceu a primeira noite de prazer dos amantes, um entregue ao outro. Anderson, só não desconfiava o que essa noite traria como consequências, mais tarde...
     O tempo se passara e os encontros aconteciam todos os dias sob o luar. Contudo, à medida que o laço entre ambos se intensificava, Luna tornava-se mais possessiva. A garota dos cabelos vermelhos, o queria só para ela e chegou a um ponto em que Luna, não o deixava mais sair da floresta.
     Por mais distante que fosse dos seus pais, Anderson ainda tinha uma família, a qual se importava.  Sentia-se restrito, preso, controlado. E já não aguentava mais àquela situação. Então, resolveu cometer um ato de pura insanidade. Enquanto Luna dormia, o jovem saiu da floresta pela manhã para ver a sua família.
     Anderson sentia-se livre, adorava a floresta, mas queria respirar um pouco do ar da cidade. Voltou para a sua casa, abraçou os pais e sentiu uma proximidade incomum, ao vê-los após tantos dias longe. Agora sua felicidade estava completa. Prometera aos pais, que voltaria em breve e com mais frequência. Anderson ainda não sabia, mas era um terrível engano.

4 comentários:

  1. Penso que a possessividade é dos sentimentos mais venenosos da humanidade. Já vivi com alguém possessivo, foi muito ruim, acabou com minha estima e vontade de viver. Vamos ver o que acontecerá nessa história... Um abraço!

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  2. Tô gostando de ver B. Li o primeiro e fiquei instigado. Essa segunda parte mostra bem como as coisas vão desenrolar. Estou curioso pela continuação. Você escreve muito bem. :)

    Beijo!!

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  3. Essa virada na trama tá bem legal. Bateu uma expectativa grande pra sequência.

    Beijo.
    www.dilemascotidianos.blogspot.com

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