sábado, 1 de fevereiro de 2014

[Parte 1] Black Day.


    A cidade de Black Day estava comemorando novamente o dia do domingo negro que dera origem ao seu nome. As ruas estavam cheias, os habitantes exaltados, os turistas maravilhados. Havia desfiles em carros pretos, pintavam as fachadas das lojas de preto e todos trajavam uma camiseta preta: o símbolo daquele dia.
    Na realidade, ninguém sabia explicar ao certo, a causa para tal nome e cor. Alguns diziam que seria devido a uma guerra que ocorreu nos anos 50 naquele local, outros diziam que nos anos 70 milhares de jovens deram início ao movimento black na cidade, outros ainda acreditavam que era um nome como outro qualquer. Porém, apenas quem sabia a verdade era a família Montessore.
    Composta pelo filho Karl e o pai Esteban, a família Montessore pertencia àquela cidade há várias gerações. Tornaram-se proprietários da maior parte dos bens imobiliários de Black Day, há duas décadas. Sempre bastante isolados, só saíam de sua residência quando o dia da comemoração chegava.
    Karl chegou ao desfile em sua limousine junto ao pai. Com trajes impecáveis, chamavam a atenção de todos os olhares curiosos. Após algumas horas, um grupo de jovens turistas se direcionou ao lugar onde os Montessore se encontravam.
    Entre os cinco adolescentes, encontrava-se uma garota que se destacava. Sua beleza era de longe, a mais exótica e ela não poderia ser comparada aos demais. Seus cabelos loiros despenteados, sua pele albina, seu corpo escultural, tudo parecia estar harmônico demais. Seu nome era Elisa.
     Assim como qualquer homem, Karl ficara enlouquecido por ela, contudo o pai o continha.
     Elisa estava conversando com o seu amigo Sérgio, recostada em uma das grades que separava o público dos artistas do desfile. Quando um dos cavalos de guarda passou pela rua, uma multidão de pessoas ficou alvoraçada e empurraram a grade pra frente, deslocando-a. Neste instante, Elisa cortou o braço, foi levada pelos paramédicos, no entanto esqueceu parte de sua roupa rasgada na grade, umedecida com sangue.
     Karl pegou aquela roupa rasgada contendo o sangue, aproximou-a de suas narinas, sentiu o cheiro e mirou Esteban repentinamente. Seus olhos tornaram-se vermelhos e pareciam estar em chamas. Esteban percebeu o descontrole do filho e o levou para dentro da limousine. Disse-lhe de forma ríspida:
     - Você está louco Karl? Como se descontrola assim no meio de todas aquelas pessoas? E se alguém te vê ou percebe o que está acontecendo?
     - Pai, como me controlar diante do que eu esperei por tantos anos? Ela é o que precisamos e aqui está a confirmação. – Mostrou parte da roupa com o sangue e entregou a Esteban.
     Esteban balançava a cabeça positivamente, enquanto dizia:
     - Precisamos realizar o nosso plano e calcular tudo milimetricamente para não deixar nenhum vestígio.

4 comentários:

  1. Hum, será que é um conto sobre vampiros? Mais um que irei acompanhar... Um abraço!

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  2. Que mistério. Me deixou na curiosidade agora. Que plano será esse?

    Ansioso!! :)

    Beijo!

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