sábado, 16 de novembro de 2013

[Parte 2] O Quarteto.


      Junior correu adiante, puxando as meninas pelas mãos.  Atrás, Juca e sua gangue, gritavam ofensas: Nerds! Excluídos!  Zero à esquerda!
      Por fim, os amigos encontraram uma velha ponte à sua frente. Contudo, ela estava com uma das partes deformada e quando Evelyn pisou na madeira, a ponte bambeou. Então, regressaram. Não havia escapatória, iriam levar porradas ali mesmo.
      Suspiraram fundo, engoliram seco e miraram a aproximação da gangue. Juca estava a 10 metros de Junior, que escondia suas amigas atrás dele. O mafioso chamou Fábio, o mais alto do bando, e retirou um soco inglês do bolso.  Apontou para Junior e disse ao parceiro: - Traga o marica aqui!
      O garoto estremeceu e seus olhos ficaram marejados. Ele foi arrastado por Fábio,  ficando frente a frente com Juca. O mafioso deu-lhe um soco no rosto, quebrando-lhe o óculos. Posteriormente, o empurrou para perto da ponte.
      Junior enxergava muito pouco, sem seus óculos garrafais. No entanto, Juca não ligou para a limitação do “marica”. Mandou-o andar pela ponte, se não, bateria em suas amigas. O garoto reclamou e repetiu várias vezes que não estava enxergando, mas não fora ouvido.
       Se havia algo que Junior abominava, era quando um homem batia em mulher.  Devido a este fato, decidiu arriscar a sua própria vida, em prol da segurança de suas amigas. Levou suas mãos a frente  para perceber aonde começava a ponte e vagarosamente, sentia a madeira em seus pés.
       As meninas choravam compulsivamente, mas tentavam orientar o amigo, para que a travessia fosse rápida. De repente,  uma tábua da ponte que estava parcialmente quebrada, tirou o foco de Junior e fê-lo escorregar rapidamente para a parte lateral da ponte. O grito do garoto denotava um medo incalculável. A única coisa que o segurava e o impossibilitava de cair nas pedras abaixo, era a corda da ponte.
       Todos ficaram aflitos. Uma culpa invadiu o ser de Juca. Ele gritava aos companheiros: Façam algo para salva-lo. Todavia, eles balançavam a cabeça e diziam que a ideia fora imposta pelo líder.
       Os dedos de Junior começaram a ficar cansados e deslizavam pela corda. O garoto estava à beira da queda. Juca, em um ato de impulso, correu cuidadosamente pela ponte até o local onde o nerd estava. Agarrou-lhe a mão, trazendo-o para as tábuas firmes novamente.
       Os dois se entreolharam e voltaram para a mata, um ao lado do outro. Junior, abraçou suas amigas e sentiu alguém passar os braços por eles. Para sua surpresa era Juca, que em um instante de arrependimento, pediu perdão ao quarteto.
       Nos dias que se seguiram, houve transformações no grupo dos “nerds”. Agora, eles eram bem vistos pela coragem e força. Ao longo do tempo, puderam mostrar as qualidades que tinham. Passaram a interagir com os outros e principalmente com Junior, que se rendeu ao grupinho. E a partir deste dia, o bullying jamais fora praticado novamente na Escola dos Saberes.


5 comentários:

  1. Quem dera todas as histórias de bullying terminassem como essa, se as pessoas pudessem assumir seus erros, engolir orgulhos e entender que ninguém é melhor do que ninguém, que as diferenças devem unir e não dividir as pessoas.

    O mundo anda precisando dessas transformações.

    Beijos.
    eraoutravezamor.blogspot.com

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  2. Concordo plenamente com a Mayra.
    Bela estória.
    Bj.

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  3. Interessantíssimo e surpreendente, B.

    Beijos.
    www.dilemascotidianos.blogspot.com

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  4. Quem dera se na vida real esse final fosse possível, B. Bjos.

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  5. Acho engraçada essa coisa toda de bullying. Antigamente usar óculos era uma aberração, hoje em dia é moda. As pessoas que não têm deficiência na visão compram sem grau, só para estarem na moda.

    Ao contrário do pessoal, eu não acho impossível e nem pouco provável isso acontecer. Há algumas semanas passou no Fantástico uma escola que colocou ética como disciplina, para discutir bullying. Os alunos se sentam em uma pequena roda e há um debate. Os casos diminuíram consideravelmente. Enfim, o que falta é preparo para lidar com o assunto. Seja na escola, em casa ou na roda de amigos.

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