sábado, 6 de julho de 2013

[Parte 3] O mistério da vizinhança.


       Paramos em uma rua deserta onde existia apenas um sobradinho ao lado de um pântano. O vizinho mais velho e o robusto, deixaram o carro, aliaram-se à garota e adentraram no sobradinho. Já o vizinho jovem ficou me observando no veículo.
       Pensei que ele teria a mesma idade que eu, 19 anos. O seu rosto era cheio  de espinhas, utilizava um óculos do tipo nerd e um cavanhaque. Por alguns minutos, encarei-o, a fim de arrancar alguma informação dele, no entanto, o jovem desviava o olhar. O seu medo era tão evidente quanto o meu.
´      - Por que vocês estão fazendo isso comigo? - perguntei aos prantos.
       - Não pense que gostamos – hesitou.
       - Então porquê se submete a realizar tal violência?
       - Somos pressionados pela garota.
      Seu olhar perdeu o brilho. Envergonhado e com raiva, esmurrou a porta do carro. Segundos depois, voltou a me encarar. Aproveitei a oportunidade, indagando: - Quem é ela? Qual é o motivo de tanto ódio?
      Ele recuou por um instante, quando percebeu que havia proporcionado pistas à prisioneira. Perplexo, me olhou mais uma vez e disse:
      - Estou cansado dessa situação. Não quero mais provocar sofrimento a inocentes. Venha comigo!
      O jovem me ajudou a sair do carro. Andamos rapidamente até a entrada do sobradinho. Nos escondemos atrás de uma árvore ali perto. O franzino começou a narrar uma história, enquanto eu mirava pela janela.
     - Há uma década atrás, os habitantes da casa na qual você está morando, culparam a garota Fernanda pela morte do filho mais novo deles. Ela era a babá do pequeno Tim e o protegia quando os pais e o irmão saíam para seus afazeres. Em uma sexta-feira, Tim sofreu um acidente, ingerindo álcool. Fernanda não teve chances nem de se explicar. Os pais de Tim, quando souberam da tragédia, arrastaram-na para este sobradinho e a queimaram, desde seu calcanhar até o último filme de cabelo. Ela tinha 14 anos na época. Desde então, sua alma traumatizada fica vagando por este mundo e realiza planos maléficos com aqueles que habitam a casa. Fernanda nos obriga, através de ameaças, a matar quem invade seu espaço. Apesar de possuir uma forma humana, ela não pode torturar as vítimas com as próprias mãos, pois não conseguiu aderir a nenhum corpo. 
Olhei pela janela e vi formas humanas perambulando dentro do sobradinho, junto com Fernanda. Perguntei ao vizinho, quem eram elas.
    - Todos que já matamos, a mando da garota. A alma de Fernanda é perturbada e tem sede por vingança.
    - E por que ela veio a este sobradinho antes de me matar?
    - Porque ela se reúne com as demais almas, a fim de decidir o pior tipo de morte para a ocasião.
    Antes que eu pudesse lhe perguntar, ele explicou:
    - As almas são enganadas e acreditam que Fernanda é a única capaz de lhes dar paz.
    - Temos que parar esta garota, antes que seja tarde e ela torture mais alguém.
    O vizinho jovem assentiu com a cabeça. Franzino prosseguiu:
    - Segundo a história, a garota aprisionou a alma de Tim nesse sobradinho. O menino é o único que sabe a verdade sobre Fernanda. Ao revelar o segredo às demais vítimas será decretado o fim da vingança.
    Os dois vizinhos foram até o pântano, contudo Fernanda permaneceu no sobradinho.
Esperei eles saírem, caminhei da árvore até a porta, ultrapassei-a, me abaixei e encostei na parede.  Meus músculos estavam enrijecidos, meu coração disparado e minha respiração ofegante.
    Iniciei a minha busca por Tim, dentro do local.

3 comentários:

  1. B, sua história está interessantíssima. Vc já criou uma espectativa neste capítulo, como derrota uma alma. Estou aguardando os próximos capítulo para matar a minha curiosidade. Bjos e uma semana de luz.

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  2. Nossa, B., tá genial essa história. A expectativa só cresce!

    Beijos.
    www.dilemascotidianos.blogspot.com

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