quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

[Parte 1] A trilha.



     Estava deitada sobre o assoalho de uma cabana. Nunca estivera naquele lugar antes. Seus olhos ardiam ao se encontrarem com os raios de sol que adentravam a sala. Uma mordaça impedia que ela se comunicasse e as cordas, que se movesse. O nó estava apertado e por mais que se esforçasse para desfazê-lo, era em vão.
     Ela não estava só. Ao lado, compareciam seus dois amigos inseparáveis, até mesmo em instantes como aquele. Não refletia bem o que estava por vir, nem encontrava explicação para um momento tão estranho, mas pressentia o perigo no ar.
     A maçaneta da porta de madeira começou a girar, interrompendo seu raciocínio. A mulher morena de alta estatura, vestindo aquela roupa cinza flexível, se aproximava deles. Seu riso cínico causava calafrios nos reféns.
     A última vez que a vira foi horas antes da captura. No início, ela parecia estar realmente perdida e em uma decisão unânime, resolveram ajudá-la. A trilha passou a agregar mais uma companhia. Conversas despojadas quebravam o silêncio e a longa estrada que ainda percorreriam para chegar ao ilustre lago.
     Durante a caminhada, acabaram se envolvendo em um labirinto. Márcia tentava achar o caminho certo, seguindo pela esquerda, enquanto, Júnior seguia pela direita. Paula e a estranha mulher, cujo nome não sabia, andavam para frente. Aquele que encontrasse o caminho primeiro, avisava aos outros, assim poupariam tempo e cansaço.
     Contudo, a mulher de cinza, estragou a tarde. A última lembrança que Paula tinha, era a paulada em sua cabeça. Após isso, o presente a confrontava com aquela senhora em sua frente. Desejava arrancar-lhe o pescoço, mas a imobilidade a impossibilitava de realizar tal ato.
     Enquanto se perdia em pensamentos e esperava que Júnior e Márcia acordassem, ela dirigiu-lhe a palavra:
     - Não adianta se remexer, Paula. Meu plano está muito bem arquitetado e não há falhas ou rastros.
     - Pra quê continuar com essa conversa tola? Acabe logo com isso. Pare de aguçar a sua face cruel.
     - Ainda é cedo. 
     - Afinal, o que você quer de nós? Somos de classe baixa, não existe dinheiro algum para o resgate.
     - O dinheiro não me fascina desta maneira.  O que conseguirei, está além. Além de mim, de você e de nosso entendimento.

3 comentários:

  1. muito legal seu blog visita meu blog por favor? http://bloggdoanonino.blogspot.com.br obrigado

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  2. Olá, B. Tudo bem?
    Primeiro, obrigada pela visita, depois, gostei do teu conto, achei ele de caráter intimista, e com um suspense na dose certa para a continuação.
    Beijos e ótimos dias!

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  3. Hey Biia
    Desculpa o atraso pra comentar.
    Curti bastante o texto e se a Cissa disse curtiu então ta ótimo, a fera nos contos é ela.
    Bjão

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