terça-feira, 2 de outubro de 2012

[Parte 4] Navegando em outros mares.



    O homem branco distribuía as folhas para os aborígines, até perceber a presença de uma índia estranha que jamais vira na tribo. Ela era a única mulher que restara, era a matriarca e todos os índios a desejavam. Contudo, Yara não se interessava por nenhum deles.
    Yara tinha cabelos negros e longos, uma pele morena e um olhar doce. Parecia ser uma menina inocente, apesar de ter a idade de uma mulher já adulta.
    Logo que a observou, os olhos de Marcos brilharam e ele teve uma sensação de desejo em seu peito. Seus olhares se encontraram rapidamente, porém a bela índia precisava descansar.
A noite apareceu e os pensamentos do homem branco voltaram-se totalmente para a índia, impedindo-o de dormir. Decidira que na manhã seguinte, procuraria por ela.
    O dia surgiu e ele fora em mais uma caçada. Procurou-a em todas as ocas, no entanto, sem sucesso. Escutou o canto de uma voz feminina, suave e encantadora. Seguiu-a.
    Ao chegar à beira do mar, ela estava lá. Capturando peixes e colocando-os em uma cesta, o que denotava seu espírito guerreiro.
    Cumprimentou-a com uma saudação indígena. Em quase um mês na tribo, havia aprendido palavras o suficiente, para conversar com Yara. Ficaram por horas, trocando informações e desenhando na areia. Piatã, a mando do Pajé, vasculhou a área, para encontrar a índia. Quando a viu, com o homem branco, um sentimento de ódio corroeu Piatã. Ele pegou-a pelo braço com movimentos bruscos e discutiu com a índia, em Tupi.
    Marcos queria salvá-la, porém era fraco demais para lutar contra os guerreiros da tribo. Regressou para oca e o Pajé esperava-o. Apoderou-se de suas armas e o despiu. Em Tupi dizia: “Se queres a mais linda índia deste mundo, terás que tornar-se um de nós, mas se não irás embora e nunca voltarás”.
    O homem branco estava indeciso. Seu sonho era navegar sem rumo, conhecer minas de ouro e conquistar as mais perfeitas mulheres. Jamais imaginara fazer parte de uma tribo. Porém, quando conheceu Yara, tudo mudou.
    Marcos acenou de maneira positiva e então iniciou-se o ritual. Seu corpo fora pintado, cobriu-o com penas em sua partes íntimas e deram-lhe um cocar. Posteriormente, aconteceu o juramento e seu novo nome seria Anauê, que significa “você é meu irmão”.
    Daquele dia em diante, houve um marco na cultura dos Arawetés, um homem branco apaixonara-se por uma índia e assim ocorreria a primeira miscigenação cultural na ilha. Anauê aderira às práticas indígenas, por amor. Um amor que superou raça, diferenças e até mesmo, preconceitos.





5 comentários:

  1. Gosteeei.
    Seguindo

    http://loveyourhope.blogspot.com.br/

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  2. O amor supera quaisquer diferenças. Bjos.

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  3. Algumas narrativas simplesmente contam uma estoria. Outras faz-nos viajar para um universo paralelo. As suas tornam os universos paralelos reais. Parabens.

    Gui Dutra.

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  4. Passando pra conhecer teu blog...Passa lah no meu pra conhecer tb!!! estou te seguindo, se gostar segue o meu tb!!!
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  5. Bom dia, tudo bem?
    Também faço parte do Blogueiras Unidas e entrei para conhecer seu cantinho. Gostei muito de tudo que vi. Parabéns o blog está lindo. Já estou seguindo. Depois passa lá no meu cantinho também, se puder segue de volta, será um prazer, ótima semana pra vc, bjs
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