quinta-feira, 28 de junho de 2012

Trancafiando sentimentos.





    Era o primeiro dia do inverno. Karla realizaria o sonho de ingressar no ensino superior. Contudo, há algum tempo, importava-se apenas com sua vida profissional e deixara as expectativas de conhecer novas pessoas, se esvaírem. Sentia-se indiferente perante às relações interpessoais que a maioria dos adolescentes em sua idade, almejavam.
    Tinha uma personalidade reclusa. Guardara seus sentimentos em um baú que ganhara de presente aos 11 anos. Quando trancava-se no quarto, abria o cadeado daquele pequeno artefato e lembrava-se das palavras de sua mãe: "- Se o medo lhe afligir, esconda-o nesta caixa." Desde então o bauzinho de Karla, tornou-se um fiel escudeiro e a acompanhava em seus passos.
    Karla olhava-se no espelho e sentia-se estranha. Ela vestia um suéter preto que contrastava com o seu cachecol azul marinho. Pegou sua mochila rasgada do colegial, empurrou a sua bicicleta e pedalou até a Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
    Ao avistar o Campus, os olhos azuis de Karla brilharam e a jovem estava atônita. Sua primeira reação foi um turbilhão de emoções. O professor logo reuniu a turma de Biologia para uma visita aos laboratórios. A menina de cabelos lisos e pretos fitava atentamente os instrumentos. De repente, ela ouviu murmúrios e ao perceber a movimentação dos demais alunos, caminhou apressadamente para o aglomerado humano. Antes que pudesse alcançá-los, suas pernas bambearam rapidamente e quando Karla percebeu já estava nos braços de um belo garoto alto e loiro. Sua atenção voltara-se totalmente para aquele ser.
    Envergonhada e tímida, Karla levantou-se e procurou incessantemente o baú. Olhou para o granito e encontrou-o sem cadeado, expondo seu interior.
    Na manhã seguinte a guria despertou de seu sonho, assoberbada. Recordou-se do garoto loiro e preocupou-se com tais pensamentos repentinos. Sem pestanejar, refez o seu percurso até a UFRS. 
    A neve cobria os enormes prédios da faculdade. Karla sentia um frio avassalador e tremores subiam por seu corpo. Assustou-se quando alguém sentou ao seu lado. Mirou os cachinhos loiros: era ele! Pedro ofereceu sua jaqueta para esquentar a morena, afinal ele compreendeu o caos da situação. Depois de muita insistência, ela aceitou a gentileza.
    Com o passar das semanas, aquela cena se repetia. As conversas demoravam-se. No período em que estava com Pedro, a jovem esquecia-se até mesmo de seu velho baú de madeira.
    Em uma sexta-feira, Karla ouviu o alarme do despertador e notou que estava atrasada para a aula. Abriu seu guarda-roupa e o baú não estava mais lá. Aflita, procurou-o por alguns minutos, sem grandes resultados. Decidiu ir para o Campus.
    Ao estacionar a bicicleta, observou Pedro. O rapaz se aproximou da morena. Karla se perguntava o que Pedro, escondia atrás de suas mãos. Ele deu-lhe um beijo no rosto e mostrou-lhe o baú. Quando Karla abriu-o, havia um bilhete escrito: "Deixe-o destrancado, a chave ficará comigo." Então, um enorme sorriso estampou o rosto da morena.

4 comentários:

  1. Owwwwwwwwwwwwwwwn! Que fofo! Achei encantador.

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  2. estou seguindo o seu blog, segue o meu tb!!!!

    http://risadaviolenta.blogspot.com.br/

    Sucesso...

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  3. Muito bonito... bem romântico... mas pq para ser bonito tem que ser alto e loiro? rsrs to brincando...

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  4. Encontrar alguem em quem possa confiar é algo maravilhoso :)
    s2

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